O Eleito

Primeiro, antes que a fama te enalteça,
vejo-te em Nazaré. Nas ruas mansas
perpassas, ladeado de crianças
e pastoras de cântaro à cabeça.

Depois em Cafarnaum, na bruma espessa
do lago azul, rondando as vizinhanças,
grande é o poder que de teu Pai alcanças
pra que teu ministério se conheça…

Bendito és tu, chamando à Nova Idéia
os ásperos varões do rude monte,
e as mulheres morenas da Judéia.

Bendita a cruz, onde teu sonho viça,
pois nasce ao pé do teu Calvário a fonte
para os que sofrem a sede de justiça!

Nilo Aparecida Pinto

Se (If) de Rudyard Kipling

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires,
De sonhar — sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo,
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais — tu serás um homem, ó meu filho!

Tradução de Guilherme de Almeida

A Dúvida

Vinham de longe os dois. Em dúvidas, ainda,

José, mais uma vez, contempla a virgem casta,

E tenta compreender que ela, tão pura e linda,

Em breve será mãe. Tenta, hesita e se afasta.

Mas volta perturbado. A dúvida não finda.

Se há o mistério sutil, há a idéia nefasta.

E, sob o pálio azul da sua crença infinda,

Qual réptil viscoso a dúvida se arrasta…

Eis que, afinal, estão os dois na estrebaria,

Entre animais… José, finalmente, agasalha

A criança que lhe diz, pelos olhos: “Confia!

Confia! Crê em Mim! Um hino aos céus entoa,

Pois o filho que tens neste berço de palha

É o Deus que te redime e o Pai que te perdoa!”

Tobias Pinheiro

Jesus, Alegria dos Homens

Nesta hora de incerteza. de cansaço e de agonia,
nesta hora em que, de novo, a guerra se prenuncia,
neste momento em que o povo não tem rumo, nem tem guia;
Ó Jesus, agora e sempre Tu és a nossa alegria!

Continue lendo…